Hoje eu gostaria de compartilhar uma história que me deixou genuinamente emocionada. Não que as outras histórias não me emocionem, me perdoem meus outros clientes, mas o Victor Freire é um brasileiro maranhense, da cidade conhecida como Ilha do Amor, a minha São Luís. Além de meu conterrâneo, ele veio da mesma universidade que eu, a Universidade Federal do Maranhão.
O Vitor, sem nenhuma dúvida, foi um dos grandes destaques desta temporada de bolsas de pesquisa. Ele recebeu ofertas de doutorado de quatro das oito universidades do Group of Eight (G8), o grupo das universidades mais prestigiadas da Austrália: University of Sydney, University of Melbourne, University of New South Wales e University of Western Australia.
É difícil explicar a dimensão profissional e financeira disso, mas cada uma dessas bolsas equivale a centenas de milhares de dólares australianos ao longo dos estudos. Na prática, isso significa não apenas estudar em uma das melhores universidades do mundo com tudo pago e apoio financeiro, mas também construir uma carreira acadêmica internacional sólida, com acesso a redes de pesquisa globais, publicações de alto impacto e oportunidades que ampliam significativamente a empregabilidade e o posicionamento profissional no longo prazo.
Agora imagine ter quatro ofertas de bolsas como essas em mãos e poder escolher entre as universidades mais renomadas da Austrália para desenvolver sua pesquisa.
O Vitor construiu um caminho acadêmico com consistência. Desde que me procurou para o início da consultoria, deixou claras suas escolhas, sempre muito bem racionalizadas, com uma base sólida e grande clareza de propósito. Da graduação em Economia na UFMA ao mestrado na USP, ele foi acumulando repertório, amadurecendo academicamente e conquistando o respeito de todos os orientadores por onde passou, o que ficou claramente refletido nas excelentes recomendações que recebeu.
Em meio a muita ansiedade, dada a demora para a divulgação dos resultados, fui acompanhando uma oferta de bolsa após a outra que o Victor foi recebendo e, com isso, ouvindo o seu “aguenta coração”: “Agora eu tenho a oferta da X e Y, mas quero ir para a universidade Z, porém tenho até o dia X para aceitar as ofertas, senão eu perco”. Assim, nesse clima de expectativa, todas as ofertas saíram a tempo de ele poder escolher, de fato, a sua preferida.
Ele escolheu a University of New South Wales. Além de integrar o grupo de elite das universidades australianas (Group of Eight), a UNSW está consistentemente entre as 20 melhores universidades do mundo no ranking QS e entre as principais da Austrália. O projeto que Victor pretende desenvolver está inserido na área de Economia, com foco na análise do papel das redes sociais na polarização do debate político. Em especial, busca compreender como a disseminação de fake news, potencializada por tecnologias digitais cada vez mais sofisticadas, tem influenciado a formação de opinião pública e os processos democráticos. Trata-se de um tema altamente atual e relevante, que foi apresentado como proposta inicial durante o processo de candidatura.
No entanto, é importante destacar que, no programa em questão, o projeto de pesquisa não é vinculante. Isso significa que tanto o tema quanto a definição do orientador poderão ser ajustados ao longo do primeiro ano, permitindo maior flexibilidade para o desenvolvimento da pesquisa em alinhamento com as oportunidades acadêmicas e institucionais disponíveis.
Segundo Victor, um dos fatores decisivos na escolha pela University of New South Wales (UNSW) foi a forte estrutura de pesquisa oferecida pela universidade:
“Encontrei na UNSW um bom número de professores alinhados com meus interesses de pesquisa, especialmente na área de Economia Política, além do Resilient Democracy Lab, um grupo voltado para estudos nessa temática. O professor com quem conversei me convidou para participar do laboratório caso eu aceitasse a oferta, o que também pesou na minha decisão. Financeiramente, as propostas eram relativamente semelhantes, mas, enquanto a University of Melbourne e a UWA ofereciam um suporte maior no início, a UNSW apresentava uma vantagem nos anos finais. No geral, todas eram boas oportunidades, mas o que mais pesou para mim foi o encaixe com a proposta do programa, os grupos de pesquisa e o corpo docente.”
Além disso, a proposta da UNSW veio com um caminho acadêmico bem estruturado: um primeiro ano em formato de mestrado coursework, seguido da transição direta para o doutorado, tudo com financiamento integral. O pacote inclui isenção total das taxas universitárias, um salário (living stipend) de aproximadamente 39 mil dólares australianos por ano, além de outros benefícios, como suporte para equipamentos e desenvolvimento da pesquisa. Ao longo do período total, a estimativa do valor da bolsa é de cerca de 400 mil dólares australianos, o equivalente a aproximadamente um milhão e meio de reais.
Segundo Victor, o apoio financeiro foi determinante para viabilizar essa trajetória:
“Sem a bolsa, essa experiência seria impossível. Ter um ‘salário’ que me permitisse me manter em Sydney foi essencial para que eu pudesse vir, além da isenção completa das taxas acadêmicas.”
Mais do que a organização e o propósito demonstrados pelo Victor, há algo que eu sempre observo em perfis como o dele: a intencionalidade.
Victor soube onde queria chegar e foi construindo esse caminho com consistência, mesmo diante das dúvidas, das incertezas e da sensação, tão comum, de que talvez não fosse possível.
E é justamente sobre isso que o depoimento dele fala.
“Em diversos momentos durante o processo, eu pensei que não receberia oferta ou, se recebesse uma, seria muito, então com certeza entendo esse sentimento.
Mas, ainda que as vagas sejam de fato competitivas, agora vejo que as universidades públicas do Maranhão e do Brasil formam, sim, estudantes e pesquisadores que têm toda a capacidade de passar nesses seletivos.
Pessoalmente, acredito que a graduação em Ciências Econômicas que fiz na UFMA abriu portas para o mestrado em Economia na USP, o qual me preparou bem para o programa de PhD em Economia da UNSW. Acredito que, especialmente para estudantes maranhenses que gostariam de se sentir mais preparados, ter uma experiência em uma universidade fora do estado pode contribuir para uma candidatura mais forte.
Mesmo que esse não seja o caso, uma coisa que observei durante esse processo é que pontos fracos que eu acreditava possuir (seja no currículo, histórico, publicações) não determinaram meu resultado. Então, não deixe de considerar essa opção por causa de algo do tipo, pois os seletores sabem que é normal não ter um “percurso perfeito”. Nesse sentido, a They Science foi particularmente importante, tanto para entender a minha elegibilidade para os programas de PhD como fazer o application com mais confiança. Posso afirmar agora que é, sim, possível conquistar uma vaga de PhD na Austrália.”
Esse não é apenas um relato sobre aprovação em um processo seletivo competitivo.
É sobre atravessar inseguranças, ressignificar limitações e perceber, na prática, que trajetórias que muitas vezes parecem improváveis são, sim, possíveis. O Vitor soube onde queria chegar e foi construindo esse caminho passo a passo.
E essa conquista pode ser dele, mas não é só para ele.
Além da universidade australiana que recebe um pesquisador exemplar, a conquista do Victor fala com muita gente. Ela fala com estudantes brasileiros e, principalmente, com estudantes maranhenses que ainda escutam que certos espaços “não são para eles”.
São, sim. E histórias como essa mostram isso com clareza.
Como ludovicense, como egressa da UFMA e como alguém que hoje construiu uma carreira científica internacional na Austrália e trabalha apoiando trajetórias acadêmicas internacionais, eu celebro essa conquista do Victor com um orgulho enorme.
Porque, no fim das contas, é nisso que eu acredito: quando talento encontra oportunidade, o alcance é global.
Vitor, que essa nova etapa seja ainda maior do que tudo o que te trouxe até aqui. O Maranhão vai com você. O Brasil vai com você. E agora, o mundo também.
Dra Adriana Pires Vieira
Fundadora da They Science